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17/10/2004

Alain Touraine: Lula está à direita de Fernando Henrique




Por: Editor

Confortavelmente convencido de que suas teses prevaleceram entre as políticas sociais desenvolvidas no atual modelo capitalista ocidental, o sociólogo francês Alain Touraine usa e abusa da ironia para definir a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: um governo à direita do tucano Fernando Henrique Cardoso. Entre o bom humor e a seriedade, Touraine diz que o petista, ´´sensatamente´´, realiza uma política social de direita, não só pelas alianças que fez para governar, como pela ausência de um modelo alternativo de gestão.



- Um projeto social diferente não seria compatível com a situação internacional e com os conseqüentes limites financeiros e políticos que restringem a ação dos governos - lembrou ao JB o ex-professor de Fernando Henrique na Sorbonne, no intervalo das palestras da conferência Hegemonia e Multiculturalismo, promovida na semana passada, em Nova York, pela Academia da Latinidade.



A comparação, no entanto, que o sociólogo francês fez do presidente Lula com o seu ex-aluno não tem um tom pejorativo. Primeiro porque não significa simplificadamente classificar de direita o governo do PT, mas analisar historicamente as duas gestões. Segundo: De acordo com Touraine, a chamada esquerda (européia e latino-americana) percebeu que ´´ninguém´´ tem idéia do que possa ser uma ´´nova política social´´. As restrições orçamentárias e os limites de atuação do Estado, diz o professor, explicam a ausência de soluções socialmente revolucionárias.



- Em nenhum país, nem na Europa, nem nas Américas, foi possível fazer diferente do que o governo Lula tem feito - ponderou.



Resultado do contexto político e econômico ou falta mesmo de uma agenda inovadora? Nem uma coisa nem outra, respondeu Touraine. Para o sociólogo, o importante é a necessidade de manter uma política institucional democrática. E nisso, continua, Fernando Henrique Cardoso, nos seus dois mandatos, e agora Lula, nestes dois primeiros anos de governo, fizeram muito bem ao buscar apoio da centro-direita brasileira.



- Sem essas forças não é possível organizar um sistema político que funcione bem - alertou, lembrando o hábito latino-americano de optar pelo caminho da revolução ou da contra-hegemonia americana.



O melhor caminho, aponta, ´´é combinar o realismo econômico com respeito ao quadro institucional e a preocupação com as melhorias sociais´´. Fernando Henrique aliou-se com um lado da direita, Lula com o outro, lembra Touraine. Ambos construíram um centro necessário para a estabilidade institucional e democrática. Embora o petista seja a continuidade do tucano, ainda que à direita de FH, segundo o sociólogo francês não se trata de uma política liberal nos moldes de Margaret Tatcher - a primeira-ministra britânica responsável, nos anos 80, pela guinada nas políticas sociais e no modelo de Estado. ´´Não há alternativa´´, dizia Tatcher, abrindo o caminho para o padrão de Estado mínimo na década seguinte.



Se um é a continuidade do outro, como PT e PSDB vão se diferenciar nas próximas disputas eleitorais? Touraine responde:



- A diferença é mais implícita do que explícita, e isso é bom para a democracia. Deixa-se de lado a idéia de que é preciso mudar tudo num novo governo. A vantagem para Lula é que ele tem um partido mais forte do que o de FH.



Embora reconheça que os dois partidos tenham saído fortalecidos das eleições municipais deste ano, Touraine avalia que o PT precisa rever prioridades. Em vez das questões da fome e da terra - problemas marginais, segundo ele - é preciso focar nos graves problemas dos grandes centros urbanos e suas periferias. Esse equívoco explicaria o mau resultado em São Paulo, onde a prefeita Marta Suplicy saiu fragilizada do primeiro turno.



- Há uma decomposição das metrópoles - alerta.

Para o professor, a ação social federal deve basear-se na busca de soluções para as carências de moradia, infra-estrutura de saneamento, educação, saúde, transportes e segurança pública: os ´´problemas reais´´ das grandes metrópoles.



- O Brasil é um país metropolitano. Cabe a Lula solucionar os problemas das




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